Em 11 de maio, no auditório do Paco Municipal, a Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão Social de Ponta Porã reativou o Comitê Intersetorial de Acompanhamento da População em Situação de Rua. O encontro reuniu 16 instituições, incluindo o Consulado do Paraguai no Brasil — o que confirma, na prática, que população em situação de rua na fronteira não tem nacionalidade única.

Atendimentos de marco e abril de 2026 mostraram, segundo a Prefeitura, que o perfil atendido inclui pessoas naturais do município, migrantes, pessoas em transito, usuários de substâncias psicoativas, pessoas com transtornos mentais e cidadãos com vínculos familiares fragilizados.

Quem participa do comitê

  • Secretarias municipais: Cidadania e Inclusão Social, Saúde
  • Saúde mental e abordagem social: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial), Consultório na Rua, Centro POP
  • Poder público: Câmara Municipal
  • Segurança: Corpo de Bombeiros Militar, Polícia Militar, Guarda Civil Municipal
  • Setor produtivo: Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã (ACEPP)
  • Fronteira: Consulado do Paraguai no Brasil
  • Casas de passagem e projetos sociais: Missão Radical, Restauração de Vidas, Casa de Apoio a Recuperação Bom Samaritano, Projeto O Pobre de Deus, Projeto Nos Servimos

Os seis eixos de atuação

  1. Saúde e saúde mental — articulação entre CAPS, Consultório na Rua e atenção básica
  2. Abordagem social e acolhimento — equipes que fazem o primeiro contato
  3. Higiene, saneamento e dignidade — banho, lavanderia, acesso a vestuário
  4. Empregabilidade e reinserção social — capacitação e ponte com mercado de trabalho
  5. Comunicação e orientação a comunidade — como morador ajuda sem prejudicar
  6. Descentralização territorial — atendimento além do centro

Por que importa pra fronteira

A presença do Consulado do Paraguai na mesa não é detalhe — é o reconhecimento institucional de que população em situação de rua transita entre PP e PJC, e que política social isolada de um lado não da conta do problema. Nesta mesma semana, a Municipalidad de Pedro Juan Caballero habilitou o Hogar de Ancianos Santa Ana como albergue temporal de inverno, exatamente na mesma direção.

Próximos passos

  • Próxima reunião do comitê: 27 de maio
  • Revisão do decreto municipal que regulamenta o comitê
  • Construção de fluxo integrado entre Assistência Social e Saúde Mental
  • Visita a experiências de outros municípios brasileiros

O próximo passo natural, do ponto de vista de fronteira, seria formalizar o fluxo binacional com o lado paraguaio — referenciar atendimento entre PP e PJC, alinhar abrigos sazonais, compartilhar dados desidentificados. Isso ainda não esta no decreto, mas a mesa esta posta.

Como acompanhar ou colaborar

A Secretaria Municipal de Cidadania e Inclusão Social coordena o comitê. Casas de passagem e projetos sociais citados recebem voluntários e doações pelos canais próprios. Site da Prefeitura