De cada dez moradores de Mato Grosso do Sul que morreram em 2025, mais de quatro tiveram como causa uma doença do aparelho circulatório, grupo que inclui o coração, as artérias e as veias, ou um câncer. A conta sai do relatório de gestão do primeiro quadrimestre de 2026 da Secretaria de Estado de Saúde (SES): 5.331 óbitos pelo primeiro grupo e 3.391 por tumores, num total de 20.339 mortes de residentes no estado.
As doenças circulatórias ficam em primeiro lugar em todos os anos da série, de 2020 a 2025, e o câncer vem logo atrás. O que mudou foi o ritmo. Em 2020 a SES contou 2.876 mortes por tumores, e em 2025 foram 515 a mais, alta de quase 18%. As circulatórias passaram de 5.249 para 5.331 no mesmo intervalo, variação de 1,6%.
Os números saem do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, numa consulta feita pela SES em 5 de maio de 2026. Para este ano, a secretaria já somava 4.846 óbitos até aquela data, 1.200 deles por doenças circulatórias e 904 por câncer. São dados parciais, que a própria SES deixa fora da comparação com os anos fechados.
Em Ponta Porã, coração e câncer somam quase metade das mortes
Na fronteira, o retrato segue o do estado. Pelo painel de mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus), que reúne os registros do SIM por município de residência, Ponta Porã teve 646 mortes de moradores em 2024, último ano com dados finais. As doenças do aparelho circulatório causaram 213 delas e o câncer, 97. Juntas, são 310, ou 48% do total.
A ordem se repete em Ponta Porã: circulatórias em primeiro, tumores em segundo e causas externas, grupo que inclui acidentes, em terceiro, com 70 óbitos em 2024. Os dados de 2025, que o Ministério da Saúde ainda trata como preliminares, mostram 185 mortes por doenças circulatórias e 103 por câncer na cidade. Os 103 óbitos por tumores são o número mais alto da série iniciada em 2020, quando foram 83.
Internações por câncer e coração passam de 34 mil no estado
Os mesmos dois grupos também pesam nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). O Relatório Anual de Gestão de 2025 da SES registra 19.348 internações de moradores de MS por doenças do aparelho circulatório e 15.626 por tumores no ano passado, 34.974 somadas, pelo Sistema de Informações Hospitalares (SIH).
Em 2021 eram 12.165 e 11.677, na mesma ordem, e a SES atribui o crescimento das duas linhas ao envelhecimento da população. Na lista de internações, quatro grupos aparecem antes: gravidez e parto (34.329), lesões por causas externas (28.209), doenças do aparelho digestivo (23.756) e do aparelho respiratório (23.745). As circulatórias vêm em quinto.
Quem deve fazer a mamografia de rastreamento pelo SUS
Entre os tipos de câncer, o de mama é o que mais atinge as mulheres de Mato Grosso do Sul e a principal causa de morte por câncer entre elas, segundo a SES. A Nota Técnica nº 626/2025 do Ministério da Saúde, citada pela secretaria, define a mamografia de rastreamento no SUS para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. De 40 a 49 anos e acima de 74, o exame pode ser feito depois de orientação do profissional de saúde sobre riscos e benefícios.
A mesma nota lista os sinais que pedem atendimento imediato na rede pública: nódulo endurecido, secreção com sangue saindo do mamilo e mudança na pele ou no formato da mama.
Para Ponta Porã, a SES anunciou em outubro de 2025 um mamógrafo digital de R$ 1,65 milhão, destinado ao Núcleo Ampliado de Saúde Sonia Cintas, e em fevereiro de 2026 incluiu o aparelho entre os equipamentos entregues ou em instalação na cidade. A secretaria não informou a data de início dos exames no núcleo.

