Quem mora na fronteira sabe: o que ela tem de melhor não cabe num mapa - cabe num palco, numa panela e num idioma compartilhado. Entre esta sexta-feira e domingo, Ponta Porã e Pedro Juan Caballero se preparam para colocar isso a mostra na maior edição do Festival da Fronteira já realizada: 12 palcos abertos, mais de 80 atrações musicais e uma feira gastronômica que ocupa quatro praças simultaneamente nas duas cidades.
A programação foi pensada para circular. Quem começa o dia em uma praça em PP pode atravessar a linha a noite e terminar em PJC sem perder uma única apresentação - todos os palcos têm horário coordenado e mapa impresso distribuído gratuitamente nos pontos de informação dos dois lados.
Como é organizada a programação
O festival foi dividido em três frentes - música, gastronomia e cultura indígena - e cada uma tem um palco principal alternando entre as duas cidades, mais palcos satélites com apresentações simultâneas.
Sexta-feira, 16 de maio
- 18h - Abertura oficial na Praça das Bandeiras (PP) com o Grupo Tereré em Linha
- 19h30 - Polca paraguaia com La Última Voz - Plaza Mariscal (PJC)
- 21h - Show de Pedro Cestari - Praça da Igreja Matriz (PP)
- 23h - DJ Set Guarani Tech - Bar Karu (PJC)
Sábado, 17 de maio
- 10h - Oficina de chipa com a Dona Salete - Casa da Cultura (PJC)
- 14h - Roda de tereré com poesia falada - Praça Central (PP)
- 20h - Show principal: Renato Borghetti e convidados
A gente sempre quis colocar a chipa, a sopa paraguaia e o chá com cokido no mesmo nível dos pratos chiques dos festivais gastronômicos de outras capitais. Esse ano, conseguimos.
Maria Elena Baez · coordenadora gastronomica do Festival da FronteiraGastronomia: o que comer
A faixa gastronômica e, talvez, o que melhor traduz a alma do evento. Em vez de food trucks importados, os organizadores convidaram cozinhas reais da fronteira - bares de bairro, padarias antigas, donas de casa que viraram empreendedoras.
Entre as estrelas confirmadas:
- Chipa de panela da Dona Salete (PJC) - uma das padarias mais antigas da Avenida Internacional
- Sopa paraguaia da Casa de Carmen (PP) - receita que ela aprendeu com a avo em 1962
- Tereré gelado em copos de chifre do Mate da Praça (PJC)

Em três idiomas
Um dos diferenciais da edição 2026 e o tradutor voluntário em guarani: 12 estudantes do curso de línguas indígenas da UFGD se ofereceram para acompanhar visitantes que queiram entender shows e apresentações nesta que é uma das três línguas oficiais do evento, ao lado do português e do espanhol.
A iniciativa partiu da Casa da Cultura Guarani de PJC em parceria com o Coletivo Fronteira Viva, e marca o primeiro festival da região com tradução simultânea pública em guarani.
Como chegar e onde estacionar
Os palcos principais ficam em quatro praças - duas em PP (Praça das Bandeiras e Praça da Igreja Matriz) e duas em PJC (Plaza Mariscal e Plaza San Antônio). Todas estão em raio de 8 minutos a pé umas das outras. Linhas de ônibus circulares vão operar entre os pontos das 17h as 2h, e a Avenida Internacional terá faixa exclusiva para pedestres a partir das 18h.
Mapa interativo
Veja a planta completa do festival com palcos, banheiros, pontos de informação e rotas entre as duas cidades. Abrir mapa
O que a fronteira ganha com isso
Além do impacto cultural, o festival movimenta a economia local. A organização estima que cerca de R$ 4,2 milhões e Gs. 7,2 bilhões circulem nas duas cidades durante o final de semana, considerando hospedagem, alimentação, transporte e compras. Hotéis dos dois lados já estão com mais de 90% de ocupação.
Para os pequenos comerciantes da Avenida Internacional, especialmente os que ainda não tinham conseguido se recuperar do ano passado, é mais que um evento: é um respiro.



