O quinto dia de paralisação dos médicos paraguaios terminou como começou, sem proposta formal do governo na mesa. A greve tinha sido convocada pelo Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) para o período de 24 a 28 de agosto, e a última reunião da semana, mediada por senadores e deputados e com os ministérios da Saúde e da Economia na sala, acabou sem número escrito.
O que o governo ofereceu, e o que o Sinamed recusou
A proposta do governo é criar uma carreira sanitária, com remuneração diferente por especialização e tempo de serviço, além de 2.390 novas nomeações de médicos pelo Ministério da Saúde. O Sinamed recusou. A categoria pede que o piso salarial de um médico com vínculo de 12 horas semanais suba de G$ 5.000.000 para G$ 8.000.000.
O ministro da Economia, Óscar Lovera, classificou o pedido como inviável para as contas públicas e estimou um custo adicional de US$ 100 milhões por ano ao Estado. A secretária-geral adjunta do Sinamed, Rossana González, contesta essa conta. Para o sindicato, sustentar o piso pedido custaria US$ 127 milhões ao ano, calculados sobre o total de médicos vinculados ao Ministério da Saúde.
O que vem depois deste quinto dia de greve
González confirmou que a paralisação termina neste quinto dia, do jeito que foi marcada desde o início. Depois disso, o sindicato reúne assembleia para decidir se mantém a mobilização ou parte para nova greve. Nesta sexta, os protestos migraram para Encarnación, onde acontecia o Campeonato Mundial de Rally. Médicos montaram uma tenda na Rota Seis, batizada por eles de "Carpa de la Resistencia", e González denunciou um esquema policial reforçado para reduzir a visibilidade do ato durante o evento internacional.
O que muda no Hospital Regional de Pedro Juan Caballero
O Hospital Regional de Pedro Juan Caballero suspendeu consultas de retorno e cirurgias eletivas durante os cinco dias de greve, mantendo urgência, maternidade e internação funcionando. Até esta sexta-feira, a XIII Região Sanitária de Amambay, que responde pelo hospital dentro da estrutura do Ministerio de Salud Pública y Bienestar Social, não tinha divulgado nova data para remarcar os procedimentos represados.
Essa data depende do resultado da assembleia do Sinamed. Se a categoria encerrar a mobilização, os consultórios da fronteira voltam a agendar consulta e cirurgia normalmente. Se decidir por nova paralisação, o represamento no hospital de Pedro Juan Caballero aumenta antes de começar a ser resolvido.
Serviço: o que fica valendo a partir de sábado
A greve nacional do Sindicato Nacional de Médicos (Sinamed) foi de 24 a 28 de agosto de 2026, nos hospitais públicos do Paraguai, sem acordo salarial fechado até o fim do prazo. Urgência, UTI, parto e internação seguiram funcionando durante toda a paralisação na XIII Região Sanitária de Amambay, que inclui o Hospital Regional de Pedro Juan Caballero. Consulta de retorno e cirurgia eletiva represadas ainda não têm data de remarcação. O Sinamed informa que a assembleia do sindicato vai decidir se a paralisação continua.