A Mata Atlântica de Mato Grosso do Sul mudou de cara nos últimos 40 anos. Um levantamento do MapBiomas, divulgado em 21 de setembro, mostra que a lavoura dentro do bioma, no território do estado, ocupava 196 mil hectares em 1985. Em 2025 já eram 1,34 milhão, alta de 582% em quatro décadas.

O MapBiomas é uma rede de universidades, organizações não-governamentais e empresas de tecnologia que mapeia anualmente a cobertura e o uso da terra em todo o Brasil por satélite. Os números de Mato Grosso do Sul fazem parte da Coleção 11, que cobre o período de 1985 a 2025 e foi lançada em agosto de 2026.

O que mudou no uso da terra no bioma

Enquanto a agricultura avançou, a pastagem no bioma, em MS, encolheu 52% no mesmo intervalo. A formação florestal nativa recuou 29%, e as áreas alagadas e pantanosas, 8%. A silvicultura, por outro lado, cresceu 731%, e a área urbana passou de 9,2 mil para 18,7 mil hectares, um aumento de 102%.

Dentro da própria agricultura, a soja liderou a expansão: de 149 mil para 946 mil hectares. Já a cana-de-açúcar nem entrava no mapeamento de quatro décadas atrás e hoje ocupa cerca de 322 mil hectares do bioma no estado.

De onde veio a nova área agrícola

Segundo o MapBiomas, a maior parte da nova lavoura ocupou áreas que antes eram pasto. Do total plantado em 2025 no bioma, em MS, 84% ocupava área de pastagem quatro décadas antes, e outros 7% eram vegetação nativa.

O sul de Mato Grosso do Sul, incluindo a região de Ponta Porã, está dentro da área de abrangência da Mata Atlântica no estado, ao lado do Cerrado e do Pantanal. Os dados da Coleção 11 estão organizados por bioma e por estado na plataforma de estatísticas do MapBiomas, aberta para consulta pública.