Em Mato Grosso do Sul, a colheita da segunda safra de milho chegou a 75,1% da área plantada até 21 de agosto, avanço de 26,1 pontos percentuais em duas semanas, segundo a Circular 675 da Aprosoja-MS e do Sistema Famasul. Mesmo assim, o estado segue 5,4 pontos atrás do ritmo da safra 2024/2025 no mesmo período. Na região que reúne Ponta Porã, Antônio João e Laguna Carapã, 71% das lavouras estão em boas condições, 18% regulares e 11% ruins.

O 11º Levantamento da Conab, divulgado em 13 de agosto, projeta a safra de grãos de MS em 30,32 milhões de toneladas neste ciclo, alta de 6% sobre os 28,60 milhões colhidos em 2024/2025. A produtividade média do estado passou de 4.303 para 4.398 quilos por hectare. No Brasil inteiro, a estimativa da Conab subiu para 360,75 milhões de toneladas, 2,4% acima da safra anterior.

O preço também subiu. Em MS, a saca de 60 quilos de soja fechou a R$ 129,75 em 13 de agosto, 4,66% acima do mesmo período do ano passado. Em Ponta Porã, a saca foi negociada a R$ 130,00. O indicador Cepea/Esalq, referência nacional, foi além: R$ 153,86 em 24 de agosto, alta de 9,48% em doze meses. O milho seguiu o caminho oposto dentro do estado: R$ 49,17 a saca em MS em 10 de agosto, valor 4% abaixo do praticado no mesmo período de 2025.

O boi gordo brasileiro mal se mexeu perto disso. O indicador Cepea/Esalq fechou a arroba a R$ 344,50 em 27 de agosto, alta de 0,58% na semana, depois de perder força nos últimos dias do mês. A exportação de carne bovina do país também recuou: até a terceira semana de agosto, o volume embarcado caiu 18,6% frente ao mesmo período de 2025, segundo a Secex/MDIC, mesmo com o preço médio subindo para US$ 6,19 o quilo.

O boi paraguaio dispara enquanto o brasileiro perde força

Do lado paraguaio, o movimento é bem maior. O novilho para abate chegou a US$ 5,30 por quilo em carcaça em 11 de agosto, segundo o relatório FaxCarne/World Beef Report. É alta de 51,4% em treze meses: em julho de 2025, o mesmo quilo valia US$ 3,50. A causa é a falta de gado pronto para o abate. Entre 1º e 10 de agosto, os frigoríficos de exportação paraguaios abateram 39.011 cabeças, usando só 36% da capacidade instalada, contra 190.839 cabeças e 53% de uso em julho inteiro.

A exportação de carne do Paraguai, porém, também caiu em volume: 162,6 milhões de quilos entre janeiro e julho de 2026, 24,63% a menos que no mesmo período de 2025, segundo o Senacsa. O preço médio compensou parte da perda: subiu para US$ 6.915 a tonelada, 20,7% acima do ano anterior.

Exportação sobe em valor e cai em volume dos dois lados

No Paraguai, a soja segue puxando as divisas. As exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo) somaram US$ 3,513 bilhões até julho, segundo a Capeco, alta de US$ 1,02 bilhão sobre igual período de 2025, quando o total era US$ 2,493 bilhões. O país inteiro exportou US$ 12,13 bilhões até julho, 25,2% a mais que no ano passado, com superávit comercial de US$ 679,1 milhões, segundo o Banco Central del Paraguay.

O câmbio ajuda a explicar parte da conta. O guarani fechou sexta-feira, 28 de agosto, cotado a 5.922,01 por dólar no Banco Central del Paraguay, bem abaixo dos 6.719,39 do início de janeiro. Cada dólar que um exportador paraguaio recebe hoje converte menos guaranis do que convertia em janeiro, mesmo com o volume embarcado e o preço internacional em alta.

A leitura da semana, dos dois lados da linha: a soja sobe em ritmo parecido no Brasil e no Paraguai. O boi, não. A arroba brasileira mal se move e a exportação de carne perde volume. No Paraguai, a falta de gado pronto para abate levou o preço a um patamar que não existia treze meses atrás. Hoje, o boi vale bem mais em Pedro Juan Caballero do que valia um ano atrás, num ritmo que Ponta Porã não acompanhou.