Moradores das cidades de fronteira de Mato Grosso do Sul encontram, nas propostas para as eleições de 2026, diferentes caminhos para saúde e segurança. Os planos citam tecnologia, reforço das forças policiais, hospitais regionais e aumento da oferta de atendimento. A comparação foi divulgada em 27 de agosto de 2026.
A pressão sobre esses serviços aparece nos números da faixa de fronteira. O Hospital Regional Dr. José de Simone Netto, em Ponta Porã, registrou cerca de 140 mil atendimentos em 2025. No mesmo ano, os municípios fronteiriços somaram 75 vítimas de homicídio doloso, ou 21,4% dos assassinatos registrados em Mato Grosso do Sul, embora reúnam cerca de 12% da população estadual.
O que está em jogo para a saúde da fronteira?
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o hospital de Ponta Porã realizou 61.268 atendimentos de urgência e emergência, 4.324 cirurgias e 1.525 partos em 2025. A unidade tem 121 leitos hospitalares, incluindo 10 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), e atende uma população superior a 200 mil habitantes dos municípios da região fronteiriça.
Na saúde, Renato Gomes (Democracia Cristã) propõe pavimentar acessos a polos de atendimento em Porto Murtinho, Bela Vista, Paranhos e Corumbá, além de fortalecer hospitais do interior e ampliar leitos de UTI no Pantanal. Fábio Trad (PT) defende gratificação para atrair médicos, uma Carreira Estadual do Sistema Único de Saúde (SUS), unidades móveis e hospitais regionais em Corumbá, Jardim e Naviraí.
João Henrique Catan (Novo) inclui a saúde regional entre as prioridades de investimento da região Sul-Fronteira, com a intenção de reduzir a dependência de atendimentos em Campo Grande. Eduardo Riedel (PP) propõe colocar em funcionamento o Hospital Regional do Pantanal, em Corumbá. Lucien Rezende (PSOL) defende ampliar o Mais Médicos para áreas isoladas e comunidades indígenas. Daniel Lemes (PCO) e Delcídio Amaral (PRD) não apresentaram proposta específica para a saúde na fronteira.
Como os candidatos querem reforçar a segurança?
As propostas de segurança vão de estruturas de monitoramento a mudanças no modelo policial. Delcídio Amaral defende a implantação integral do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), um centro de inteligência com drones e satélites e concursos para recompor os efetivos. Renato Gomes propõe investir R$ 30 milhões em câmeras de leitura de placas, criar uma Central Integrada de Inteligência e manter bases permanentes do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) em Ponta Porã e Corumbá.
Eduardo Riedel destaca a implantação do Plano de Fronteira e promete ampliar o uso de inteligência artificial e análise de dados pelo LabSejusp. Fábio Trad fala em bases integradas permanentes, mais infraestrutura policial, fortalecimento do DOF e um plano de desenvolvimento específico. João Henrique Catan apresenta a Missão Sul-Fronteira, com inteligência, tecnologia, integração com forças federais e combate ao crime organizado. Lucien Rezende prioriza a cooperação entre órgãos do Brasil, Paraguai e Bolívia, com foco em inteligência policial e direitos humanos.
Daniel Lemes propõe substituir as estruturas policiais por comitês de autodefesa popular e comunitária. Jeferson Bezerra (Agir) não apresenta proposta específica sobre a segurança nas fronteiras com Paraguai e Bolívia. A faixa fronteiriça é apontada como rota de entrada de drogas e mercadorias ilícitas, enquanto Corumbá aparece como corredor logístico usado no tráfico internacional de drogas e armas.
O que ainda não aparece nos planos apresentados?
O material comparado não informa prazos, custos totais, metas de execução ou fontes de financiamento para a maior parte das propostas. Também não detalha como seriam implantadas as medidas de saúde e segurança nem quais resultados seriam acompanhados em cada município da faixa de fronteira.

