Dois indicadores divulgados nesta terça-feira, dia 29, mostram um país com trabalho em alta e orçamento das famílias sob pressão. De um lado, o desemprego segue perto das mínimas da série histórica. De outro, o calote no crédito subiu de novo e chegou a um patamar que o Banco Central nunca tinha medido.

O que o IBGE mediu no trimestre até agosto

O desemprego fechou o trimestre em 5,3%, queda de 0,3 ponto percentual frente ao trimestre encerrado em maio e frente ao mesmo período de 2025, quando estava em 5,6%. O país tinha 5,8 milhões de pessoas desocupadas.

A população ocupada chegou a 103,5 milhões, o maior contingente da série. Foram 774 mil pessoas a mais que no trimestre anterior (alta de 0,8%) e 1,1 milhão a mais que um ano antes (alta de 1%). O nível de ocupação, que mede quantos dos brasileiros em idade de trabalhar têm ocupação, foi de 58,9%, contra 58,6% no trimestre anterior. Os empregados com carteira assinada, sem contar os domésticos, somaram 39,5 milhões.

Segundo a análise dos dados, a criação recente de vagas ficou concentrada na construção e na indústria, e as outras atividades apenas se mantiveram no mesmo patamar.

Inadimplência sobe para 5% no crédito

Segundo o Banco Central, a taxa média de calotes marcou 4,9% em julho e 5% em agosto, o ponto mais alto desde que a série começou, em março de 2011. O indicador conta as operações com mais de 90 dias de atraso, de pessoas físicas e de empresas.

  • Pessoas físicas: 5,8% em julho e 6% em agosto, também o maior patamar da série
  • Empresas: estável em 3,3%, o valor mais alto desde outubro de 2017, quando chegou a 3,4%

A série completa está no site do Banco Central, e a pesquisa de emprego, no IBGE.

Juros e contas públicas entram na conta

Economistas avaliam que o emprego ajuda a sustentar renda e consumo, mas que os juros altos por tanto tempo puxam a economia para o lado oposto: a atividade perde ritmo e o crédito mais caro alimenta o atraso nas parcelas. Na leitura deles, o ritmo de novas vagas já perdeu força, e o mercado de trabalho tende a sentir com atraso o efeito do aperto monetário.

Nesse quadro, os analistas veem espaço para novos cortes da Selic, mas em passos graduais. O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto na reunião mais recente, levando-a a 13,75% ao ano, depois de 14%. Foram cinco cortes consecutivos. A ata do encontro, divulgada na semana passada, pede cautela diante de um cenário ainda incerto.

Também nesta terça, o Tesouro Nacional informou que as contas do governo fecharam agosto com déficit primário de R$ 13,58 bilhões. É um resultado melhor que o de agosto de 2025, quando o rombo foi de R$ 16,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação, e o menor para um mês de agosto desde 2021 (R$ 11,8 bilhões, também corrigidos).