O número é seco. Entre 7 de janeiro e 18 de agosto deste ano, o fogo queimou 90.719,60 hectares do Pantanal em Mato Grosso do Sul. No mesmo intervalo de 2025, foram 21.935,60 hectares. A área queimada mais que quadruplicou, num ano marcado por estiagem prolongada, umidade do ar baixa e temperatura alta.

Diante disso, o programa Pantanal em Alerta, coordenado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), ampliou a mira sobre onde agir primeiro.

Como o programa escolhe onde olhar primeiro

O sistema usa geotecnologia e histórico para cruzar cinco critérios por propriedade: foco de ignição anterior, recorrência de incêndio, proximidade de Unidade de Conservação, presença de área ambientalmente sensível e reincidência registrada desde 2020. Quem recebe o alerta em tempo quase real, a cada 10 minutos, são as equipes de campo do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), da Polícia Militar Ambiental (PMA), do Ibama, da perícia criminal e da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Quem coordena o Núcleo Ambiental do MPMS é o promotor Luciano Loubet. O objetivo declarado do programa é que nenhum incêndio no Pantanal fique sem o Estado investigando a causa.

O sistema também tem porta aberta para o público: qualquer proprietário rural pode se cadastrar e passar a receber alerta por e-mail ou celular quando aparecer foco de calor perto da área indicada.

A outra frente é apagar o fogo com fogo controlado

Enquanto o MPMS mira fiscalização, o Imasul aposta em prevenção dentro do Parque Estadual do Pantanal do Rio Negro, em Corumbá. Em duas etapas de manejo integrado do fogo, uma no começo do ano e outra entre 11 e 15 de maio, o Corpo de Bombeiros e a equipe do Imasul queimaram, de forma controlada e de baixa intensidade, mais de 1.000 dos 76 mil hectares do parque, reduzindo o material combustível antes que um incêndio maior apareça sozinho. Participaram 10 bombeiros, 7 servidores do Imasul e 2 pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

"O Pantanal é um bioma que naturalmente convive com o fogo, mas precisamos utilizar técnicas adequadas", disse André Borges, diretor-presidente do Imasul.

A liberação para esse tipo de manejo passa pelo Sifau, sistema de geotecnologia do Imasul, que cruza mapa de vegetação, volume de biomassa acumulada e histórico de fogo da propriedade antes de autorizar uma queima controlada.

Serviço: as duas frentes abertas neste ano

O Pantanal em Alerta, do MPMS, funciona por cadastro público e mira fiscalização e investigação de origem de incêndio, com alerta enviado a cada 10 minutos. O manejo integrado do fogo, do Imasul com o Corpo de Bombeiros, mira prevenção dentro de unidade de conservação, com licença liberada pelo sistema Sifau. Ponta Porã e Pedro Juan Caballero ficam fora do polígono oficial do bioma, mas dividem o mesmo Estado e a mesma pauta orçamentária que hoje sustenta brigada, perícia e fiscalização no Pantanal.