O apelido de Ponta Porã vem da erva-mate. O povoado que deu origem à cidade surgiu no meio dos campos de erva-mate nativa, e foi a exploração desses ervais, a partir de 1882, que puxou a ocupação da região. Em 5 de maio de 2015, a Lei municipal nº 4.093 deu ao município o título oficial de Princesinha dos Ervais, com S no fim, a grafia do plural de erval.

Um povoado que nasceu entre ervais e carretas de erva-mate

Segundo o histórico do município no IBGE, o primeiro nome do lugar foi Punta Porá, e ali paravam os carreteiros que transportavam a erva-mate. O Tratado de Limites de 1872, assinado depois da Guerra do Paraguai, deixou a área do lado brasileiro. O cultivo da erva-mate foi a atividade econômica central no território do atual Mato Grosso do Sul de 1882 a 1940, como registra um estudo da UEMS, e atraiu para a fronteira migrantes do Rio Grande do Sul.

Thomaz Larangeira e a concessão dos ervais em 1882

Thomaz Larangeira transformou os ervais em negócio. Ele abastecia de comida os trabalhadores da comissão que demarcou os limites depois da guerra e, nas viagens pelas bacias dos rios Amambai e Iguatemi, encontrou grandes ervais nativos, conforme o histórico regional reunido pela UFMS. Em 9 de dezembro de 1882, o Decreto imperial nº 8.799 concedeu a ele permissão para colher erva-mate na Província de Mato Grosso, pelo prazo de dez anos.

Em 1883 ele abriu o primeiro arranchamento, em Rio Verde, e em 1891 organizou a Companhia Matte Larangeira para tocar o negócio como empresa. Em 1902 o controle passou ao capital estrangeiro, com a sociedade Larangeira Mendes & Cia., sediada em Buenos Aires. A área arrendada cresceu no Império e na República até virar um dos maiores arrendamentos de terras devolutas do país entregues a um grupo particular, segundo artigo da revista Fronteiras, da UFGD.

O trabalho nos ervais, da colheita ao transporte dos fardos, ficava com paraguaios e indígenas. Historiadores citados no mesmo artigo descrevem um pagamento feito quase sempre em mercadoria, com adiantamentos no armazém da Companhia que prendiam o trabalhador ao erval pela dívida.

Do monopólio da erva ao Território Federal de Ponta Porã

O domínio da Companhia perdeu força a partir dos anos 1930. A Constituição de 1937 proibiu conceder terras numa faixa de 150 quilômetros ao longo da fronteira, e em 1941 o governo Vargas não renovou o arrendamento. Em 1943 veio o Território Federal de Ponta Porã, que o artigo da UFGD descreve como uma forma de desmontar o poder da Companhia e abrir as terras aos colonos. Os três anos de governo próprio estão na ficha do Território Federal.

No centro de Ponta Porã, o prédio que liga as duas histórias é o Castelinho, construído entre 1926 e 1930 com recursos federais e contribuições da Companhia e usado como sede do governo do território entre 1943 e 1946, segundo a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul. O casarão tem ficha própria.

O apelido que virou verso de hino e título de lei municipal

O hino de Ponta Porã, com letra do professor Isaac Borges Capilé, canta a cidade como “Princesinha real dos ervais”. Em 2015 o apelido virou título oficial com a Lei nº 4.093, de 5 de maio, proposta pelo vereador Agnaldo Miudinho, que confere ao município o título de Princesinha dos Ervais e foi publicada no Diário Oficial de Ponta Porã em 11 de maio.

O monumento das cuias, na entrada de Ponta Porã pela BR-463

Quem chega de Dourados pela BR-463 passa pelo trevo da cuia, onde fica o que a Prefeitura chama de monumento das cuias. Sobre a base branca, uma guampa e uma cuia, cada uma com sua bomba, ladeiam um porongo maior. Na base, dos dois lados do brasão da cidade, está escrito “Bem vindo a Ponta Porã” e “Princesinha dos Ervais”.

O mesmo nome batiza o Parque dos Ervais Prefeito Aires Marques, na Avenida Brasil, homenagem ao prefeito que governou a cidade de 1985 a 1988. É no parque que Ponta Porã monta o Verão no Parque e parte das festas de aniversário da cidade, e a ciclovia de 6,2 quilômetros que sai da região do São João passa por ele a caminho do monumento das cuias.

O registro estadual do Tereré de Ponta Porã, de 2011, cita a importância do ciclo da erva-mate no desenvolvimento da região entre os motivos do reconhecimento. A roda da bebida está contada na ficha do tereré na fronteira.

Linha do tempo

  • 1872O Tratado de Limites, depois da Guerra do Paraguai, deixa a região de Ponta Porã do lado brasileiro.
  • 9 dez. 1882O Decreto imperial 8.799 permite a Thomaz Larangeira colher erva-mate na Província de Mato Grosso.
  • 1883Larangeira abre o primeiro arranchamento, em Rio Verde.
  • 1891É organizada a Companhia Matte Larangeira.
  • 1902O controle passa à Larangeira Mendes & Cia., com sede em Buenos Aires.
  • 18 jul. 1912Ponta Porã deixa de ser distrito de Bela Vista e vira município.
  • 1926-1930Construção do Castelinho, com recursos federais e contribuições da Companhia.
  • 1937A Constituição proíbe conceder terras numa faixa de 150 quilômetros ao longo da fronteira.
  • 1941O governo Vargas não renova o arrendamento dos ervais com a Companhia.
  • 1943Criação do Território Federal de Ponta Porã.
  • 31 mar. 2011O Tereré de Ponta Porã é registrado no Livro de Registro dos Saberes de Mato Grosso do Sul.
  • 5 mai. 2015A Lei municipal 4.093 dá a Ponta Porã o título de Princesinha dos Ervais.