A imagem assusta quem nunca viu: um emaranhado de sucuris enroladas umas nas outras, parado na água. Turistas flagraram a cena durante uma pescaria num rio de Rio Brilhante, no centro-sul de Mato Grosso do Sul, e o registro correu o estado.

O que está acontecendo ali é reprodução, e a formação tem nome técnico: bola reprodutiva.

Uma fêmea no meio, vários machos em volta

O que dispara a formação é química. A fêmea libera feromônio, e o cheiro atrai machos que estejam no raio de alcance. Eles chegam e se enrolam em torno dela, disputando a posição para acasalar.

A diferença de tamanho ajuda a identificar quem é quem no meio do nó: a fêmea é bem maior e mais robusta que os machos. Em registros da espécie já foram descritas bolas com mais de dez machos em volta de uma única fêmea. Há observação de até treze.

O comportamento se chama poliandria: uma mesma fêmea cruza com vários machos numa só temporada. A disputa funciona como uma triagem: quem tem mais força e tamanho leva vantagem.

Por que a cena aparece justo agora

A sucuri-verde se reproduz na estação mais seca do ano. Setembro fecha esse período no Centro-Oeste, o que ajuda a explicar por que a cena aparece neste mês e não em fevereiro.

Com o nível dos rios baixo, os animais se concentram em menos água. Isso aumenta a chance de encontro entre eles e, de quebra, a chance de alguém de barco passar bem na hora.

O detalhe que quase ninguém espera

Durante o período reprodutivo, a fêmea pode se alimentar de um dos machos que a cercam. A gestação exige reserva de energia, e ela pode passar de seis a sete meses sem comer enquanto gera os filhotes. O macho que estava ali para acasalar vira estoque.

Se você cruzar com uma dessas no rio

Sucuri não persegue gente. A recomendação para quem encontra uma, sozinha ou em grupo, é manter distância e seguir o caminho, sem cutucar, sem tentar mover e sem barulho perto do animal. Em época de reprodução, uma bola de sucuris na beira do rio é um animal ocupado, e o melhor a fazer é deixar ocupado.