Viajar ao Paraguai por Ponta Porã: quando basta atravessar e quando é preciso registrar a entrada
Ir a Pedro Juan Caballero fazer compras e voltar no mesmo dia cabe no regime de trânsito livre e não pede registro migratório, só documento na mão. Seguir para Assunção, Encarnación, Ciudad del Este ou embarcar num voo internacional saindo do Paraguai pede o registro de entrada no posto da Direção Nacional de Migrações em Pedro Juan Caballero, em Dr. Francia com a Ruta 5ª. É gratuito e pessoal, e a falta dele vira multa de ₲ 702.462 na hora de sair do país. A pergunta que organiza o resto da viagem é uma só: ela termina na faixa de fronteira ou continua pelo Paraguai?
✓ Verificado pela redação em 02/09/2026Ninguém pagou pra estar aqui. A lista é da redação, e posição nela não se compra.
Passo 1: De Campo Grande até Ponta Porã ainda é viagem dentro do Brasil
Quem sai de Campo Grande de ônibus ou de carro rumo a Ponta Porã faz um deslocamento nacional, e não encontra imigração no caminho porque ainda não saiu do Brasil. Chegando lá, a fronteira também não tem o desenho que a maioria espera. Ponta Porã e Pedro Juan Caballero formam uma fronteira seca e urbana, e em vários pontos basta atravessar uma avenida para estar no Paraguai. Não há ponte, cancela nem cabine obrigatória para cada pedestre, e é por isso que dá para sair de Campo Grande, almoçar em Pedro Juan Caballero, fazer compras e voltar sem passar por nenhum guichê.
Passo 2: Só compras em Pedro Juan Caballero: sem registro, com documento
Na circulação coberta pelo regime de trânsito livre entre as cidades-gêmeas, o registro migratório não é obrigatório. A flexibilização é para o deslocamento local e pressupõe que o visitante permaneça dentro da área fronteiriça e volte pelo mesmo passo. Isso não é o mesmo que atravessar sem documento. A própria autoridade migratória recomenda que brasileiros e estrangeiros levem documento de viagem válido, porque a região de fronteira tem controle aleatório.
Passo 3: Qual documento levar, e qual não vale
Para o brasileiro, o mais simples é RG em bom estado, Carteira de Identidade Nacional física ou passaporte. A CIN pode ser usada nos países com os quais o Brasil mantém acordo de viagem, o Mercosul incluído. CNH, carteira profissional e certidão não substituem o documento de viagem para o ingresso no Paraguai. Leve o documento físico: a legislação paraguaia sobre documento digital não garante ao estrangeiro que a versão do aplicativo brasileiro será aceita numa fiscalização do outro lado da linha.
Passo 4: Seguir pelo Paraguai muda a regra, e o tal 'permiso' é isto
Quando Pedro Juan Caballero deixa de ser o destino e vira a porta de entrada, o registro de entrada no Paraguai passa a ser obrigatório antes de continuar. É esse procedimento que muita gente na fronteira chama informalmente de permiso. Não se trata de comprar uma autorização especial de viagem. Fora do regime de trânsito livre, a Direção Nacional de Migrações estabelece que nacionais e estrangeiros registrem entrada e saída, e o procedimento é gratuito, pessoal e feito num posto migratório habilitado.
Passo 5: Onde fica o posto, e em que horário
O posto de controle migratório de Pedro Juan Caballero fica em Dr. Francia com a Ruta 5ª, no edifício da ANNP, e é o posto terrestre oficial da Direção Nacional de Migrações para a fronteira com Ponta Porã. O atendimento vai das 6h às 19h de segunda a sexta e das 7h às 19h aos sábados e domingos, no horário de Ponta Porã (o relógio paraguaio está uma hora à frente). Quem chega depois do fechamento não regulariza naquele momento, e isso pesa para quem viaja à noite, no fim de semana ou no feriado. Como não existe cabine que obrigue todo veículo a parar ali, é o viajante que toma a iniciativa de procurar o posto: a lista oficial dos postos de controle traz endereço e horário atualizados.
Passo 6: O que acontece no balcão, e o papel que você precisa guardar
O brasileiro em viagem de turismo apresenta documento de identidade válido ou passaporte, pessoalmente, ao funcionário da Direção Nacional de Migrações. Menores também precisam ser apresentados quando o registro é exigido, e não é preciso despachante, guia ou intermediário para fazer o procedimento. Quem entra com passaporte recebe o registro no próprio documento. Quem entra com carteira de identidade pode receber uma tarjeta migratória ou comprovante de entrada, e é esse papel que comprova o ingresso regular na hora de deixar o Paraguai. Ele parece só mais um papel no primeiro dia da viagem e vira o documento mais importante no último.
Passo 7: De Pedro Juan Caballero a Assunção: o que muda depois do registro
Feito o registro, o trecho até Assunção corre dentro do território paraguaio, de ônibus, de carro ou por outro transporte regular, e não existe nova imigração na chegada à capital nem em cada cidade do caminho. O cuidado é manter documento pessoal, documentação do veículo e comprovante migratório à mão, porque pode haver controle na estrada. A região de saída de Pedro Juan Caballero já foi usada para fiscalização perimetral justamente para identificar quem ultrapassou a faixa de trânsito livre sem ter registrado a entrada no país.
Passo 8: De carro brasileiro: Carta Verde, CNH física e carro de terceiro
Para entrar no Paraguai com veículo brasileiro, o Consulado-Geral do Brasil em Assunção orienta levar documentação do carro, documento de identidade ou passaporte, CNH física e o Seguro Carta Verde. O Carta Verde é o seguro obrigatório de responsabilidade civil para veículos registrados no Brasil que ingressam em outro país do Mercosul, alcança carro de passeio, moto e outros veículos previstos na regulamentação, e se contrata antes do período da viagem. Se o motorista não for o proprietário, a orientação consular é procuração pública apostilada autorizando a condução. Carro alugado exige conferir antes se o contrato da locadora libera a saída do Brasil.
Passo 9: Voo internacional em Assunção, ou seguir para o Chile
O roteiro Campo Grande, Ponta Porã, Pedro Juan Caballero, Assunção e voo internacional saindo do Silvio Pettirossi termina num controle migratório paraguaio no aeroporto, onde a autoridade precisa encontrar o registro de entrada no sistema ou conferir o comprovante. Quem atravessou a fronteira seca como se fosse passar algumas horas em Pedro Juan Caballero e seguiu até a capital chega ali sem como comprovar o ingresso. A regra vale igual para quem pretende sair por outro posto: o trânsito livre pressupõe saída pelo mesmo passo, e quem vai sair por outro lugar registra a entrada antes. Seguindo depois para o Chile, a Argentina ou a Bolívia, são dois processos separados, a saída do Paraguai e a entrada segundo as regras do país de destino.
Passo 10: Esqueceu de registrar: a multa e a ausência de registro retroativo
A legislação migratória paraguaia prevê multa para o estrangeiro que não consegue comprovar o ingresso regular quando se apresenta para sair. Desde julho de 2026, a Direção Nacional de Migrações informa o valor de seis jornales mínimos, hoje ₲ 702.462, que muda quando o salário mínimo paraguaio é reajustado. Também não funciona entrar informalmente e dar entrada dias depois, porque os registros migratórios não são feitos retroativamente. Em controle na saída da área de trânsito livre, o viajante sem registro pode ser orientado a voltar ao posto para regularizar antes de continuar, o que é bem diferente de descobrir a pendência em Assunção com voo marcado. As sanções e multas ficam publicadas pela própria Migração.
Passo 11: Febre amarela: leve a carteira de vacinação mesmo saindo de Mato Grosso do Sul
Na regra sanitária paraguaia vigente, Mato Grosso do Sul não aparece entre os estados brasileiros classificados como área de risco para a exigência do Certificado Internacional de Vacinação contra a Febre Amarela. A lista atual traz Amazonas, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Roraima, e alcança pessoas de 1 a 59 anos vindas dessas áreas. Essa é a norma escrita. Na prática, o certificado é pedido no balcão mesmo a quem sai de Ponta Porã, e ninguém ganha discussão de lista no guichê. Ande com a carteira de vacinação e mantenha a dose de febre amarela em dia: a vacina precisa ter sido aplicada com a antecedência prevista pela autoridade sanitária, e o certificado é gratuito. Quem passou antes por um dos estados da lista ou por outro país confere de novo perto da data, porque a lista muda. Os requisitos para ingressar no Paraguai ficam com a Saúde do Viajante.
Passo 12: Criança e adolescente na viagem
Na circulação familiar pela faixa de fronteira, vale portar a identificação da criança ou do adolescente. Quando a viagem segue para o interior do Paraguai ou para um terceiro país, a situação muda conforme quem acompanha o menor: viagem internacional de menor desacompanhado ou acompanhado por apenas um dos responsáveis pode exigir autorização específica, e esse documento se resolve antes de sair do Brasil. O registro migratório paraguaio também alcança maiores e menores quando a viagem está fora do regime de trânsito livre.
Passo 13: A volta: registrar a saída do Paraguai e conferir a cota
Quem registrou a entrada registra também a saída ao deixar efetivamente o país, seja voltando a Pedro Juan Caballero para atravessar de novo para Ponta Porã, seja embarcando no aeroporto de Assunção ou saindo por outro posto internacional. É nessa hora que o comprovante recebido na entrada é pedido. Na chegada ao Brasil entra a outra conta, a da bagagem: US$ 500 de isenção por viajante em fronteira terrestre, com limite de quantidade por item mesmo dentro do valor. Os números e o cálculo de quem passa estão no guia da cota do Paraguai.
Fonte: Direção Nacional de Migrações do Paraguai — postos de controle migratório
Perguntas frequentes
Preciso fazer imigração para fazer compras em Pedro Juan Caballero?
Onde se faz a permissão para ir de Pedro Juan Caballero a Assunção?
Posso entrar por Ponta Porã e pegar um voo em Assunção?
O que acontece se eu esquecer de registrar a entrada no Paraguai?
Preciso de vacina de febre amarela para entrar no Paraguai saindo de Ponta Porã?
Os outros guias de Utilidades
A fronteira nos conecta.
Feito na fronteira, entre Ponta Porã (MS, Brasil) e Pedro Juan Caballero (Amambay, Paraguai), para quem vive com um pé em cada país.